quarta-feira, 23 de março de 2016

Não Me Mostrarei

Por hora, escolho não revelar quem realmente sou.

Mostrar de cara quem a gente é pode nos tornar vulneráveis e é por isso que tomei esta decisão... claro, tá na cara é medo!

Medo de ser alvo fácil para julgamento, medo de decepcionar o outro de cara, de não ser aceita, de não ter surpresas, de ser previsível demais, medo!

Naturalmente me pergunto: Com isto, será que não estarei engessada demais, falsa demais, descaracterizada demais, me anulando demais? É, tô. Foda né. Foda demais... quer dizer, diante disto, mais provavelmente, foda de menos.

Meu riso frouxo, meu sorriso largo e minhas gesticulações desenvoltas já me trouxeram alguns desajustes, ora por julgamentos machistas, ora pela insegurança das namoras dos amigos... e isso é um saco. Gente besta é uma chatice.

De certo modo escolhi, neste momento de tantas transições me permitir o recolhimento, não para ficar como mera expectadora, como na janela de um casarão em Olinda vendo o bloco na rua passar, mas permitir distanciar-me um pouco e experimentar o não ser eu, mas ser eu, entendeu?

Confuso, eu sei. É um experimento de resguardar, manter a essência (essa espero, convicta que inalterável) pondo em prática outros comportamentos.

Será como num jogo de detetive, assassino e vítima. Ao Permitir provar de uma outra forma o exprimir-me. Por fim, pós experimento serei eu vítima de mim mesma e presa em nome da lei?


domingo, 13 de março de 2016

Eu Queria Morar Do Outro Lado Da Rua

Sabe o que é você olhar por segundos a casa de alguém e imaginar como seria morar lá? Senti isso.

Pode parecer bobagem, infantilidade ou qualquer coisa do tipo... mas foi bom.
É como num jogo de decifrar como é e quem são os personagens que habitam alí. Como vivem? Como são? E o mais louco, imaginar, acreditar e ainda invejar de certa forma... só porque eles moram naquela casinha linda de muro baixo do outro lado da rua.

Não que a velha métrica americana de que a grama do vizinho é mais verde – nunca fui de invejar nada de ninguém, mas é que aquela casa me traz fascínio... e como é bom almejar a calmaria intrínseca naquela casinha.

É tão doido que chego a me ver num futuro, arrodeada de meninos, cachorros e um balanço no quintal. Engraçado como alguns objetos (neste caso mais que uma casa, um lar) reverberam na gente com tanta intensidade, nos fazem fazer planos com algo que não é nosso... a não ser o sonho. Movimentam desejos de dias com mais calmaria.... é isso, CALMARIA que àquela casa me traz.

Ela parece simples, nostálgica, bucólica e tão cheia de história, cheia de vida. Não sei se eu sou do tipo de pessoa que observava isto anteriormente, mas enfim, me faz tão bem nesta data.

Num desejo, pro hoje... Eu desejo o amanhã no outro lado da rua.