sábado, 30 de julho de 2016

Acautelar - Castello Branco

Todo dia pondo acautelar
As coisas mais lindas que tenho findo em mim
Pra que eu possa reutilizar
Postura
Clareza
Conduta
Sem vacilação

Ah, se desenrola no apogeu
Ah, vamo simbora só tu e eu

O sossego é quase, quase meu
As vezes me pego por te-lo sem razão
É que eu não suporto ser e as vezes não
Se é, é
Se não
Não



terça-feira, 26 de julho de 2016

Do Porvir

Da velha história a respeito dos ciclos que não se fecham... advinha de quem é a culpa?

Por vezes não me dei conta que sempre deixei a porta entreaberta, vislumbrando algo que aparentemente ficou para trás, ou nem tão para trás assim e poderia com o tempo e, sobretudo, maturação, vir a mudar, retornar... retomar - não como num passe de mágica, mas num desejo ingênuo, típico da pessoa que não dá o braço a torcer, numa verdadeira contradição de quem sabe esperar longas temporadas e ao mesmo tempo tem atitudes abruptas de um imediatista quase incorrigível. Sou pura contradição.

Deixar a porta entreaberta é a mesma coisa que deixar a esperança no ar, é acreditar no recomeço e na ciclicidade das coisas, no que vai e que volta.

De certo modo, até que isto é bom, trabalha a capacidade de perdoar, de esquecer, de passar por cima e viver o daqui pra frente. Por outro lado, em determinadas situações, bom mesmo é deixar partir, é fechar portas e janelas pra que situações não se repitam, ao menos não com as mesmas pessoas.

Nunca fui de pontos finais, gosto mesmo de reticências.... na brecha de introduzir velhas e novas palavras, de quem sempre quer continuar mais um pouquinho, de quem tem coragem e disposição, inclusive de quebrar a cara mais uma, duas ou três vezes. 

Chances... sempre gostei de muitas, talvez por ter poucas, por me darem insuficientes para minhas realizações pessoais - exercito, doou de mim para o outro estes bônus, brindes, oportunidades extras pra quem tem desejo de fazer diferente.

Não gosto de quem age e diz que a primeira impressão é a que fica  se soubessem o quanto são infelizes. Não se abrem para serem surpreendidas, já julgam e condenam em primeira instância - não sou assim.

Quero e espero o melhor de mim, dos outros. Quero ver o melhor e deixo a porta entreaberta, pra talvez, se não me magoar (espero) traga frescor e bonança ao que já era preto e branco numa relação previamente desgastada. Acredito no amanhã, no porvir diferente.

Assumo todas as culpas e consequências dos meus atos. Do escolher não trancar a porta e fechar-me no meu mundo. Escolho não isolar-me de quem um dia fez parte do meu pequeno universo. 

Desapego quando percebo que é melhor desapegar e pairo no ar as dúvidas quando creio que reviver de diferentes formas é uma maneira de também ser feliz.

sábado, 23 de julho de 2016

Feliz e Ponto - Silva

Eu quis tanto ter você
Quando você não me quis
E agora a gente é feliz e ponto
Com amor se paga amor
E o ditado é quem diz
Que a gente ama assim sem dar desconto

Deixa ser mais leve que você
Essa coisa que faz flutuar
Deixa que te faça entender
Tanto, quanto
Já te fez sonhar sem perceber
Já te fez querer sem duvidar
Deixa esse amor cadenciar, manso

Eu quis tanto ter você
Quando você não me quis
E agora a gente é feliz e ponto
Com amor se paga amor
E o ditado é quem diz
Que a gente ama assim sem dar desconto

Deixa ser mais leve que você
Essa coisa que faz flutuar
Deixa que te faça entender
Tanto, quanto
Já te fez sonhar sem perceber
Já te fez querer sem duvidar
Deixa esse amor cadenciar, manso

Eu quis tanto ter você
Quando você não me quis
E agora a gente é feliz e ponto
Com amor se paga amor
E o ditado é quem diz
Que a gente ama assim sem dar desconto
Ponto


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mais do Menos

Das metamorfoses que a trajetória da vida nos apresenta, o amadurecer nos faz mudar. Pouco a pouco deixamos de ser “aquela” pessoa assim ou assada e passamos a incorporar novos hábitos, transitando entre o velho e o novo num mix das experiências vividas e, sobretudo, do que desejamos ser, almejamos para o futuro onde o passado já não nos completa mais.

Das escolhas que fiz hoje (ou não tão recente assim) escolhi menos com mais. Melhor dizendo, preconizei autoconhecimento e qualidade. 

Menos pessoas com mais conteúdo, mais participação na minha vida, mais amigáveis, mais “presentemente amigas” coisa rara, viu.

Menos muvuca, mais filmes do Almodóvar, que como quase nenhum outro, é um entendedor de respeito da essência feminina que nem eu mesma consigo, por vezes, definir.

Menos dinheiro, mais tempo pra descobrir o que realmente me faz feliz. Pra que correr de um lado pra o outro e sentir que, eu gosto mesmo é de praticar nadismo com frequência, desacelerar, escrever diariamente, ver filmes, ouvir música e é assim que me sinto verdadeiramente rica.

Mais rotina fora da rotina pra eu me encontrar de dentro pra fora ou às vezes de fora pra dentro, o importante é se encontrar, independente da ordem porque é isto o que quero no agora, no hoje. Sei que daqui a pouco eu possa escolher desencontrar-me pra viver noutro mundo paralelo, daí eu mudo mesmo. Mas hoje, eu quis e faço nada e tudo no meu tempo.

Mais trabalhos manuais, menos produtos industrializados em larga escala, saber de onde veio, com a energia de quem o fez, boa ou ruim... alguém fez pra um, pra mim, mesmo que ele ou ela não saiba, mas foi pra mim, minusculamente “a importante”, desde que eu pague, claro.

Este momento de mudanças e descobertas faz vontades novas surgirem, bem como desejos antigos jogados no fundo das inúmeras gavetas emergirem, e pouco a pouco serem postos em prática, ao menos para experimentações, e confesso, com outros sabores.

Tô apaixonada pela nova Natália, naturalmente com todas as decepções e tumultos que toda paixão tem, mas este namoro comigo mesma tá bom e espero que fique assim, longo, duradouro... ou melhor, pelo tempo que for bom, pelo tempo que me fizer bem