Da velha história a respeito dos ciclos que não se
fecham... advinha de quem é a culpa?
Por vezes não me dei conta que sempre deixei a porta
entreaberta, vislumbrando algo que aparentemente ficou para trás, ou nem tão
para trás assim e poderia com o tempo e, sobretudo, maturação, vir a mudar, retornar... retomar - não
como num passe de mágica, mas num desejo ingênuo, típico da pessoa que não dá o braço a torcer, numa verdadeira contradição de quem sabe
esperar longas temporadas e ao mesmo tempo tem atitudes abruptas de um
imediatista quase incorrigível. Sou pura contradição.
Deixar a porta entreaberta é a mesma coisa que deixar a
esperança no ar, é acreditar no recomeço e na ciclicidade das coisas, no que
vai e que volta.
De certo modo, até que isto é bom, trabalha a
capacidade de perdoar, de esquecer, de passar por cima e viver o daqui pra
frente. Por outro lado, em determinadas situações, bom mesmo é deixar partir, é
fechar portas e janelas pra que situações não se repitam, ao menos não com as
mesmas pessoas.
Nunca fui de pontos finais, gosto mesmo de
reticências.... na brecha de introduzir velhas e novas
palavras, de quem sempre quer continuar mais um pouquinho, de quem tem coragem
e disposição, inclusive de quebrar a cara mais uma, duas ou três vezes.
Chances... sempre gostei de muitas, talvez por ter poucas, por me darem insuficientes para minhas realizações pessoais - exercito, doou de mim para o outro estes bônus, brindes, oportunidades extras
pra quem tem desejo de fazer diferente.
Não gosto de quem age e diz que a primeira impressão é
a que fica se soubessem o quanto são infelizes. Não se abrem para serem surpreendidas, já julgam e
condenam em primeira instância - não sou assim.
Quero e espero o melhor de mim, dos outros. Quero ver o
melhor e deixo a porta entreaberta, pra talvez, se não me magoar (espero) traga
frescor e bonança ao que já era preto e branco numa relação previamente
desgastada. Acredito no amanhã, no porvir diferente.
Assumo todas as culpas e consequências dos meus atos.
Do escolher não trancar a porta e fechar-me no meu mundo. Escolho não isolar-me
de quem um dia fez parte do meu pequeno universo.
Desapego quando percebo que é melhor desapegar e pairo no ar as dúvidas quando creio que reviver de diferentes formas é uma maneira de também ser feliz.

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