sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ônus e Bônus no Abstrato

Numa determinada noite eu escutava a música Apenas mais uma de amor, desta vez interpretada pelo Padre Fábio de Melo, no final da música, com sua interpretação e licença poética falou: “Amar é tomar prejuízo” (destoando eu do contexto geral do que foi subsequente dito, diga-se de passagem). Confesso que essa frase solta repercutiu na minha cabeça pelas horas seguintes.

Parei, refleti, mesmo que superficialmente á respeito do tema e tentei me colocar na frase... Né que o Padre estava certo, ao menos em partes.

De pronte pensei naturalmente no aspecto financeiro  (não é à toa que  costumam dizer que o bolso é a parte mais sensível do humano – por hora fiz parte desta redundância), olhei pra minha carteira, lembrei da minha conta bancária, de fato, amar é um desfalque; não um assalto à mão armada, daqueles que a gente se assusta e lá se vai o dinheiro,  é pior, você é  levemente surrupiado, é de mansinho, alisando levemente , nota por nota e foi – Cadê o dinheiro que tava aqui? – o namoro comeu!

Por vezes a nossa vida social, as bebidas, farras e até o sono se dá mal nessa de namorar. A gente muda tanta coisa pra se encaixar na vida do outro – se bem que o outro também  muda alguns hábitos pra entrar na nossa (não vou aqui bancar a boa samaritana, dada, peraí, né, relacionar-se é uma via de mão dupla). Inegável é que os esforços existem, de ambas as partes, se um mais que o outro, não importa, ninguém aqui tá fazendo contas de divisão matemática.

Nessa de mão dupla, é tão bom saber que doar-se nos faz bem, que reflete o bem querer ao próximo, é sinônimo até de grandeza, claro existe implicitamente um tal de “dar para receber” mas é assim mesmo, em toda e qualquer relação, a gente dá e espera mesmo que pouquinho do outro.

Aprender algo novo, aventurar-se por desconhecidos ao lado de alguém que ainda nos dá beijinhos de quebra, isso é bônus.

Ter com quem compartilhar momentos de alegrias ou não, de mostrar as nossas imperfeições, ter pra quem ligar e trocar as primeiras mensagens do dia não tem preço.

Então Padre Fábio, prejuízos sim, inevitáveis na vida adulta, mas posto na balança o quanto a gente cresce e divide ao lado da pessoa amada é muito mais lucro do que possa-se imaginar. Fazendo jus à melhor frase da música, então, reverbera ela aí: “... A alegria que me dá, Isso vai sem eu dizer...”  -  tem coisas que não se explicam, só se vive e fim.









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