Numa determinada noite eu escutava a música Apenas mais uma
de amor, desta vez interpretada pelo Padre Fábio de Melo, no final da música,
com sua interpretação e licença poética falou: “Amar é tomar prejuízo” (destoando
eu do contexto geral do que foi subsequente dito, diga-se de passagem).
Confesso que essa frase solta repercutiu na minha cabeça pelas horas seguintes.
Parei, refleti, mesmo que superficialmente á respeito do
tema e tentei me colocar na frase... Né que o Padre estava certo, ao menos em
partes.
De pronte pensei naturalmente no aspecto financeiro (não é à toa que costumam dizer que o bolso é a parte mais sensível do humano – por hora fiz parte desta redundância), olhei pra minha carteira, lembrei da minha conta bancária, de fato, amar é um desfalque; não um assalto à mão armada, daqueles que a gente se assusta e lá se vai o dinheiro, é pior, você é levemente surrupiado, é de mansinho, alisando levemente , nota por nota e foi – Cadê o dinheiro que tava aqui? – o namoro comeu!
Por vezes a nossa vida social, as bebidas, farras e até o
sono se dá mal nessa de namorar. A gente
muda tanta coisa pra se encaixar na vida do outro – se bem que o outro também muda alguns hábitos pra entrar na nossa (não
vou aqui bancar a boa samaritana, dada, peraí, né, relacionar-se é uma via de
mão dupla). Inegável é que os esforços existem, de ambas as partes, se um mais
que o outro, não importa, ninguém aqui tá fazendo contas de divisão matemática.
Nessa de mão dupla, é tão bom saber que doar-se nos faz bem,
que reflete o bem querer ao próximo, é sinônimo até de grandeza, claro existe
implicitamente um tal de “dar para receber” mas é assim mesmo, em toda e
qualquer relação, a gente dá e espera mesmo que pouquinho do outro.
Aprender algo novo, aventurar-se por desconhecidos ao lado
de alguém que ainda nos dá beijinhos de quebra, isso é bônus.
Ter com quem compartilhar momentos de alegrias ou não, de
mostrar as nossas imperfeições, ter pra quem ligar e trocar as primeiras mensagens
do dia não tem preço.
Então Padre Fábio, prejuízos sim, inevitáveis na vida adulta,
mas posto na balança o quanto a gente cresce e divide ao lado da pessoa amada é
muito mais lucro do que possa-se imaginar. Fazendo jus à melhor frase da
música, então, reverbera ela aí: “... A alegria que me dá, Isso vai sem eu
dizer...” - tem coisas que não se explicam, só se vive e
fim.

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