Depois de muitas dores, decidi que era mais do que hora de
me desprender, cortas os laços, ou melhor, os nós que me ligavam a certa pessoa
e fatos do passado.
É difícil, dói, mas é preciso, não dá para seguir em frente
com uma bola de canhão pregada ao meu calcanhar. É necessário força, jeito,
manha pra romper o cadeado que me prende e impede de dar paços mais largos.
Voar é preciso. E não dá pra voar com amarras ao chão.
Às vezes a gente arruma mil desculpas, não apaga o contato da
agenda, não exclui das redes sociais, continua a frequentar os mesmos lugares e
persiste a criar velhos hábitos que tendem a te fazer ficar na inércia – nem prossegue
nem retorna, afinal, deixar alguém na retaguarda, à margem é sofrido.
Desculpa ter que te deixar pra trás, mas os meus planos já
não são os mesmos, tenho vôos mais altos e planos que não comportam você... muito
menos as suas fortes lembranças, é, eu tenho que ir, seguir em frente, dar
passos mais sólidos pra frente, embora algo sempre me remete à lá trás, mas é
assim mesmo, não dá pra apagar o passado, não dá esquecer tudo o que se passou,
mas passou, né.
É hora de jogar as chaves foras, de não fazer mais de você uma
morada, é preciso sintonizar novas
frequências. Como disse o Rubel certa vez: “- Pinturas velhas não renovam mais
meu ar”. Você precisa ser apagado, riscado do papel, dos pensamentos e mais
profundamente do coração, ao menos por hora, não dá pra prosseguir com a
lembrança de um passado que tá tão presente, latente. É necessário, chegou a
hora, você precisa ir.

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