domingo, 27 de novembro de 2016

Deixar Pra Depois Não Quer Dizer Colocar Debaixo do Tapete.


Néia, amiga da minha mãe sempre me dizia: " O tempo não só traz velhice, traz sabedoria também".

Eu sempre quis acreditar nisto, mas do alto dos meus 18 anos não tinha maturidade suficiente para verdadeiramente entender na prática esta frase.

Com o passar dos anos, acredito sim que fiquei mais sabida no que diz respeito ao jogo de cintura que a vida nos impõe.

Meu imediatismo pouco a pouco tornou-se e torna-se mais esporádico e por hora minhas anulações me renderam frutos mais à frente. O que me faz acreditar que esse “tempo” quer dizer paciência.

Paciência para não atropelar nem a mim nem aos outros. Cautela ao tomar decisões que possam ser irremediáveis e principalmente, me permitir segurar a  onda, respirar fundo e dar uma nova chance – Nova chance ao novo e ao velho que pode ou não vir a surpreender.

Aprendi a não encanar tanto e porque não, deixar de lado? Quando possível tomar decisões posteriormente, quando a poeira baixar, porque assim é mais fácil ter clareza.

Quando eu descobri o poder do DEPOIS, o tempo teve impacto muito mais positivo na minha vida. Usar o tempo e não ser refém dele foi um divisor de águas. 

Aquele mesmo tempo súbito permeado por impulsos perdeu lugar pra eutimia, permitindo assim, decisões firmes e assíduas que me trazem a convicção de que  essa tal sabedoria é alcançada lentamente, dia após dia. O tempo não é sinônimo de vilania. 





sábado, 30 de julho de 2016

Acautelar - Castello Branco

Todo dia pondo acautelar
As coisas mais lindas que tenho findo em mim
Pra que eu possa reutilizar
Postura
Clareza
Conduta
Sem vacilação

Ah, se desenrola no apogeu
Ah, vamo simbora só tu e eu

O sossego é quase, quase meu
As vezes me pego por te-lo sem razão
É que eu não suporto ser e as vezes não
Se é, é
Se não
Não



terça-feira, 26 de julho de 2016

Do Porvir

Da velha história a respeito dos ciclos que não se fecham... advinha de quem é a culpa?

Por vezes não me dei conta que sempre deixei a porta entreaberta, vislumbrando algo que aparentemente ficou para trás, ou nem tão para trás assim e poderia com o tempo e, sobretudo, maturação, vir a mudar, retornar... retomar - não como num passe de mágica, mas num desejo ingênuo, típico da pessoa que não dá o braço a torcer, numa verdadeira contradição de quem sabe esperar longas temporadas e ao mesmo tempo tem atitudes abruptas de um imediatista quase incorrigível. Sou pura contradição.

Deixar a porta entreaberta é a mesma coisa que deixar a esperança no ar, é acreditar no recomeço e na ciclicidade das coisas, no que vai e que volta.

De certo modo, até que isto é bom, trabalha a capacidade de perdoar, de esquecer, de passar por cima e viver o daqui pra frente. Por outro lado, em determinadas situações, bom mesmo é deixar partir, é fechar portas e janelas pra que situações não se repitam, ao menos não com as mesmas pessoas.

Nunca fui de pontos finais, gosto mesmo de reticências.... na brecha de introduzir velhas e novas palavras, de quem sempre quer continuar mais um pouquinho, de quem tem coragem e disposição, inclusive de quebrar a cara mais uma, duas ou três vezes. 

Chances... sempre gostei de muitas, talvez por ter poucas, por me darem insuficientes para minhas realizações pessoais - exercito, doou de mim para o outro estes bônus, brindes, oportunidades extras pra quem tem desejo de fazer diferente.

Não gosto de quem age e diz que a primeira impressão é a que fica  se soubessem o quanto são infelizes. Não se abrem para serem surpreendidas, já julgam e condenam em primeira instância - não sou assim.

Quero e espero o melhor de mim, dos outros. Quero ver o melhor e deixo a porta entreaberta, pra talvez, se não me magoar (espero) traga frescor e bonança ao que já era preto e branco numa relação previamente desgastada. Acredito no amanhã, no porvir diferente.

Assumo todas as culpas e consequências dos meus atos. Do escolher não trancar a porta e fechar-me no meu mundo. Escolho não isolar-me de quem um dia fez parte do meu pequeno universo. 

Desapego quando percebo que é melhor desapegar e pairo no ar as dúvidas quando creio que reviver de diferentes formas é uma maneira de também ser feliz.

sábado, 23 de julho de 2016

Feliz e Ponto - Silva

Eu quis tanto ter você
Quando você não me quis
E agora a gente é feliz e ponto
Com amor se paga amor
E o ditado é quem diz
Que a gente ama assim sem dar desconto

Deixa ser mais leve que você
Essa coisa que faz flutuar
Deixa que te faça entender
Tanto, quanto
Já te fez sonhar sem perceber
Já te fez querer sem duvidar
Deixa esse amor cadenciar, manso

Eu quis tanto ter você
Quando você não me quis
E agora a gente é feliz e ponto
Com amor se paga amor
E o ditado é quem diz
Que a gente ama assim sem dar desconto

Deixa ser mais leve que você
Essa coisa que faz flutuar
Deixa que te faça entender
Tanto, quanto
Já te fez sonhar sem perceber
Já te fez querer sem duvidar
Deixa esse amor cadenciar, manso

Eu quis tanto ter você
Quando você não me quis
E agora a gente é feliz e ponto
Com amor se paga amor
E o ditado é quem diz
Que a gente ama assim sem dar desconto
Ponto


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mais do Menos

Das metamorfoses que a trajetória da vida nos apresenta, o amadurecer nos faz mudar. Pouco a pouco deixamos de ser “aquela” pessoa assim ou assada e passamos a incorporar novos hábitos, transitando entre o velho e o novo num mix das experiências vividas e, sobretudo, do que desejamos ser, almejamos para o futuro onde o passado já não nos completa mais.

Das escolhas que fiz hoje (ou não tão recente assim) escolhi menos com mais. Melhor dizendo, preconizei autoconhecimento e qualidade. 

Menos pessoas com mais conteúdo, mais participação na minha vida, mais amigáveis, mais “presentemente amigas” coisa rara, viu.

Menos muvuca, mais filmes do Almodóvar, que como quase nenhum outro, é um entendedor de respeito da essência feminina que nem eu mesma consigo, por vezes, definir.

Menos dinheiro, mais tempo pra descobrir o que realmente me faz feliz. Pra que correr de um lado pra o outro e sentir que, eu gosto mesmo é de praticar nadismo com frequência, desacelerar, escrever diariamente, ver filmes, ouvir música e é assim que me sinto verdadeiramente rica.

Mais rotina fora da rotina pra eu me encontrar de dentro pra fora ou às vezes de fora pra dentro, o importante é se encontrar, independente da ordem porque é isto o que quero no agora, no hoje. Sei que daqui a pouco eu possa escolher desencontrar-me pra viver noutro mundo paralelo, daí eu mudo mesmo. Mas hoje, eu quis e faço nada e tudo no meu tempo.

Mais trabalhos manuais, menos produtos industrializados em larga escala, saber de onde veio, com a energia de quem o fez, boa ou ruim... alguém fez pra um, pra mim, mesmo que ele ou ela não saiba, mas foi pra mim, minusculamente “a importante”, desde que eu pague, claro.

Este momento de mudanças e descobertas faz vontades novas surgirem, bem como desejos antigos jogados no fundo das inúmeras gavetas emergirem, e pouco a pouco serem postos em prática, ao menos para experimentações, e confesso, com outros sabores.

Tô apaixonada pela nova Natália, naturalmente com todas as decepções e tumultos que toda paixão tem, mas este namoro comigo mesma tá bom e espero que fique assim, longo, duradouro... ou melhor, pelo tempo que for bom, pelo tempo que me fizer bem

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Eu Não Tô Zerada

Engraçado e ao mesmo tempo irônico como algumas pessoas acreditam que estamos totalmente zeradas ao iniciar um relacionamento.

Como acreditar numa coisa louca desta?

O que eu sou, o que você é hoje, na verdade é o somatório de tudo o que vimemos até aqui. Quer sejam os namoros que deram certo e os que não deram tão certo assim, dos tropeços, das lagrimas, das superações, dos risos, das transas, dos aprendizados.... tudo, absolutamente, tudo!

Se eu sou esta pessoa que você admira hoje, é justamente porque eu passei por tudo, eu tenho uma história, vivências, memórias e é o conjunto do que vivi antes de você, que no fundo é o que te atrai tanto em mim. Sei que deve ser um pouco difícil de entender isto, mas é.

Cheguei pra você hoje com a soma do ontem, meu passado não é tão passado – meu passado e altamente presente na mulher do hoje.

Eu sou esta mistura de luz e sombra, do que foi e do que é; eu não tô zerada pra você porque tenho biografia, vestígios bons e ruins que não se apagam, porque é a minha vida. Criação esta em textos não lineares - escritas minunciosamente com o tempo que vai de letras garrafais a pequenos rabiscos. É um verdadeiro espetáculo, quase sempre com única apresentação, sem requerer ensaios, é vida real e pulsante dentro de mim escrita, construída e encenada diariamente. Eu a escrevo e reescrevo dia após dia.

Se hoje eu sou muito mais clarão, agradeça a todos os meus amores, aos livros que li, à minha família, aos amigos próximos e distantes, aos filmes, peças boas ou ruins, às viagens, a totalidade daquilo que presenciei. Agradeça a tudo e a todos que passaram de alguma forma no caminho que trilhei, afinal, se eu tô cheia pra você, é porque a minha vida com eles não foi um ensaio. Reafirmo: Eu escrevo e reescrevo minha vida dia após dia.

A cada dia me afasto mais do zero.  Eu conjugo o verbo existir. Coabito no presente com a base do passado.  

Sim, eu tô cheia (repleta) de mim. 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Quando Tudo Está em Calma

Das diversas coisas que vem de dentro, paz, calma é um eterno acautelar.

Quando se tem paz de espírito conseguimos alcançar a sensação de que o melhor sempre é feito, mesmo que não perfeitamente, afinal, perfeição em tudo é utopia, sobretudo chato, de procura incessante pelo modelo ideal o que, por ventura traz inquietude. Não quero aflições.

Com o passar do tempo, ou melhor, com o alcance gradativo da maturidade, afinal, o tempo não traz só velhice, tenho aprendido a lhe dar melhor com as chamadas “pequenas coisas”, aprendido que deixar pra lá, deixar rolar... se deixar é um constante desapego dos fardos que nós mesmos , por vezes, insistimos em carregar. Enfim, aprendido.

Reconectar-se com o que há de mais puro dentro de nós é revisitar nossas próprias intimidades, nossa essência, ancestralidade.

Costumo dizer que é preciso levar a vida leve, mas confesso que nem sempre isso foi possível, não tão possível quanto agora, não tão claro quanto hoje.

Quando chegamos nesta condição, não há quem nos impeça, quem nos aflija, tudo é luz.

Voltar-se pra si, liberta-se de velhos conceitos e deixar de carregar mais e mais do mesmo vai além do desprendimento, é graça – e eu escolho este estado.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Não Me Mostrarei

Por hora, escolho não revelar quem realmente sou.

Mostrar de cara quem a gente é pode nos tornar vulneráveis e é por isso que tomei esta decisão... claro, tá na cara é medo!

Medo de ser alvo fácil para julgamento, medo de decepcionar o outro de cara, de não ser aceita, de não ter surpresas, de ser previsível demais, medo!

Naturalmente me pergunto: Com isto, será que não estarei engessada demais, falsa demais, descaracterizada demais, me anulando demais? É, tô. Foda né. Foda demais... quer dizer, diante disto, mais provavelmente, foda de menos.

Meu riso frouxo, meu sorriso largo e minhas gesticulações desenvoltas já me trouxeram alguns desajustes, ora por julgamentos machistas, ora pela insegurança das namoras dos amigos... e isso é um saco. Gente besta é uma chatice.

De certo modo escolhi, neste momento de tantas transições me permitir o recolhimento, não para ficar como mera expectadora, como na janela de um casarão em Olinda vendo o bloco na rua passar, mas permitir distanciar-me um pouco e experimentar o não ser eu, mas ser eu, entendeu?

Confuso, eu sei. É um experimento de resguardar, manter a essência (essa espero, convicta que inalterável) pondo em prática outros comportamentos.

Será como num jogo de detetive, assassino e vítima. Ao Permitir provar de uma outra forma o exprimir-me. Por fim, pós experimento serei eu vítima de mim mesma e presa em nome da lei?


domingo, 13 de março de 2016

Eu Queria Morar Do Outro Lado Da Rua

Sabe o que é você olhar por segundos a casa de alguém e imaginar como seria morar lá? Senti isso.

Pode parecer bobagem, infantilidade ou qualquer coisa do tipo... mas foi bom.
É como num jogo de decifrar como é e quem são os personagens que habitam alí. Como vivem? Como são? E o mais louco, imaginar, acreditar e ainda invejar de certa forma... só porque eles moram naquela casinha linda de muro baixo do outro lado da rua.

Não que a velha métrica americana de que a grama do vizinho é mais verde – nunca fui de invejar nada de ninguém, mas é que aquela casa me traz fascínio... e como é bom almejar a calmaria intrínseca naquela casinha.

É tão doido que chego a me ver num futuro, arrodeada de meninos, cachorros e um balanço no quintal. Engraçado como alguns objetos (neste caso mais que uma casa, um lar) reverberam na gente com tanta intensidade, nos fazem fazer planos com algo que não é nosso... a não ser o sonho. Movimentam desejos de dias com mais calmaria.... é isso, CALMARIA que àquela casa me traz.

Ela parece simples, nostálgica, bucólica e tão cheia de história, cheia de vida. Não sei se eu sou do tipo de pessoa que observava isto anteriormente, mas enfim, me faz tão bem nesta data.

Num desejo, pro hoje... Eu desejo o amanhã no outro lado da rua.