Faz parte da vida as tentativas, erros e acertos, mas
cheguei à conclusão que abandonar o
barco e partir pra outros mares é sobretudo um ato de coragem.
Permitir-se dar um salto no escuro com tantas questões ao
redor não é uma tarefa fácil e demanda muito mais energia e sofrimento do que alguns
imaginam.
Ao longo destes últimos meses venho passando por esta fase.
Tenho largado o barco gradativamente. Ainda não fui corajosa
o suficiente para pular em alto mar, por vezes me vejo ancorando o barco em
alguma margem e vez ou outra troco, volto e retomo alguns barcos da vida.
São tantas coisas na cuca, são tempos desprendidos, investimentos,
visão de mundo, sonhos, família, contas, insatisfações e afins envolvidos que simplesmente
abandonar tudo e deixar a água rolar é uma
problemática.
Certas libertações parecem que só serão concretizadas quando
o passado não passar apenas de uma lembrança.
Recorda, ou melhor, reviver como uma bola de ping-pong dói,
estrangula. O mais complicado de tudo isso, que mesmo entendendo, tendo clareza
de toda esta temática global, ainda não consigo me desvencilhar. Uma vez ouvi
dizer que “Crescer dói”, e é.
Dói largar o que vc construiu durante um longo período, dói
ouvir certas críticas, sobretudo as minhas, que são as mais duras possíveis,
chegar a conclusão que parte do que se
foi construído não foi um sucesso como imaginara nos sonhos é frustrante; mas fazer o que, né, frustrações existem,
fazem parte da vida e temos que encarar de cabeça erguida ou não. Tocar o barco
pra frente e evitar dar voltas em círculos.
Minha mãe sempre me disse:
-Pra frente é que se anda. E tenho que levar o sabedoria popular mais a
sério, olhar pra frente, mirar nos novos objetivos, ir ao alcance deles e só
espiar para trás pra lembrar que tudo o que foi vivido foram degraus pra nova e
próspera fase. O passado passou.

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